DUAS VERSÕES

Não é segredo que uma das coisas que mais gosto de fazer dentro desta profissão maravilhosa que é a música é tocar as canções dos outros. Não há nenhum músico na terra que tenha começado a tocar um instrumento sem primeiro aprender com aqueles que o ensinaram a ouvir. Lembro-me que quando peguei na guitarra com 16 ou 17 anos, queria aprender as canções todas dos Pixies e dos Prefab Sprout. No entanto, os Prefab Sprout eram muito complicados para um iniciante, e foi por isso que me dediquei a aprender a tocar as canções punk-rock dos Pixies na minha guitarra EKO. Como não soava a nada do que eu pretendia, tirei-lhe as cordas de nylon e substituí-as por cordas de aço, o que acabou destruir a guitarra no espaço de 2 anos. Nunca usei uma palheta porque nunca ninguém me disse que era suposto. Ainda hoje não sei usar uma.


Tocar as músicas dos outros é um prazer para qualquer músico. É como voltar onde já se foi feliz sem ter ninguém por cima do nosso ombro a chatear-nos com clichés derrotistas. Há quem diga que as versões geralmente destroem os originais, mas eu acho que não há nenhum músico que não se sinta lisonjeado por ouvir as suas canções nas vozes e instrumentos de outros. Eu já fiz centenas de versões ao vivo e já gravei algumas em disco, mas é sempre um prazer quando me convidam para voltar a fazê-lo. Foi o que aconteceu na última semana, por duas vezes.